Os desafios da tradução

Tradutor e Intérprete: profissões em extinção?

Tradutor... profissão em extinção, uma vez que já está sendo substituída pelos mecanismos de tradução on-line,  como o "Tradutor do Google"  e outros aparatos eletrônicos, como os robôs tradutores.

Na verdade, traduzir sempre foi simples e fácil, bastando ser bilíngue para dar conta da tradução perfeita de qualquer documento, em qualquer gênero textual, de qualquer época.

Você concorda mesmo com isso? Em caso positivo, como explicar a crença comum de que não existe tradução perfeita? Quais seriam os desafios da tradução?

17 comentários:

Teresa Monteiro disse...

Quem depender do Tradutor do Google ou de qualquer outro aparato automático para ler um texto em língua estrangeira poderá ter uma noção do assunto do texto, mas jamais entenderá o texto na sua totalidade. Tais “tradutores” induzem a erros, mal-entendidos, distorções e conclusões erradas. Mesmo os leigos percebem que não se pode confiar nesse tipo de tradução. Por isso, tais mecanismos não substituem e nunca substituirão os tradutores e intérpretes.

Rafaela Ribeiro Leal disse...

Traduzir um texto não é trocar uma palavra de uma língua por outro de outra língua. Se assim fosse, para aprender uma língua estrangeira bastaria, tão simplesmente, decorar um dicionário. Se por um lado, todas as línguas são muito parecidas, por outro lado, elas diferem umas das outras em quantidades de detalhes, incluindo a estrutura. Ao aprendermos uma língua estrangeira, ficamos impressionados com as diferenças entre elas.

Alberto Guedes da Silva disse...

Na verdade, não existem duas línguas tão semelhantes entre si para que a tradução de uma para a outra se faça pela simples transposição de palavras. O leigo não tem ideia da diversidade linguística e imagina que seja assim. O tradutor do Google prova que não é, fornecendo frases desconexas, sem sentido, traduzindo uma palavra por outra sem levar em consideração o contexto, entre outras coisas.

Sebastian Fonseca disse...

Qual o bilíngue que já não foi abordado para traduzir aqueles manuais “chatérrimos” de aparelhos eletrônicos importados? Quando explicamos que não é fácil assim e que não temos tempo, por conta do conhecimento técnico necessário para traduzir, que não possuímos e que precisaríamos estudar, somos mal entendidos, ora como incompetentes, ora como sendo pessoas de má vontade.

Ruben Regen disse...

Para traduzir bem, é preciso ter tempo disponível, gosto pela pesquisa e conhecimento do assunto que se traduz.

Quando nos deparamos com um assunto que desconhecemos, é preciso estudá-lo, do contrário faremos uma tradução ruim ou mesmo errada.

É fundamental ter um revisor da tradução final, que seja competente no assunto do documento traduzido e igualmente bilíngue (não necessariamente um tradutor).

Esse revisor deverá ter o cuidado de jamais corrigir o autor da obra original, caso ele julgue encontrar falhas ou erros de informação. Ele deve se colocar como revisor tão somente da tradução.

Amanda Muller Garcia disse...

A tradução de uma obra literária implica questões interculturais. Isso exige conhecimento das culturas envolvidas (da língua alvo e da língua fonte), bem como situar tais culturas no tempo e no espaço em que a obra foi escrita. O trabalho do tradutor extrapola, portanto, os aspectos linguísticos, ao contrário do que normalmente se pensa. Além de entrar na maneira de pensar do autor (como na leitura de qualquer obra), é preciso entrar na maneira de pensar do povo da língua fonte, no momento a que a obra se refere.

Joaquim Octavio Oliveira disse...

A tarefa do tradutor é bem mais complexa e bem mais ampla que um trabalho meramente linguístico e não se limita à preocupação com a correção lexical e gramatical. Oferecer uma tradução de uma obra literária ao leitor equivale a oferecer uma leitura pessoal da obra, que nunca é a única possibilidade, ou seja, não existe a tradução única, definitiva e correta.

Nadir disse...

Não obstante o perfeccionismo de um tradutor, a tradução sempre deixará a desejar, pois se limitará sempre à visão subjetiva daquele que traduz. O tradutor é um selecionador linguístico por excelência, escolhe entre palavras, estruturas, prioridades de noções a serem repassadas ao leitor, etc. O seu trabalho intercultural tem por base tais escolhas. A sua responsabilidade é de fidelidade máxima ao texto fonte. Mas nesse campo, nem sempre é possível ser fiel e toda tradução, dada a sua complexidade, é um trabalho sempre fragmentado, já que tem por base a seleção feita por um sujeito – o tradutor. O resultado é sempre uma grande perda em relação à obra original. Se obtivermos dez traduções de um mesmo original para determinada língua, cada uma delas sendo de um tradutor diferente, teremos dez resultados distintos, pois trata-se de dez olhares diferentes.

Roberto lima oliveira disse...

O livro mais vendido (lido?) no mundo: a Bíblia. Caso todos a lessem no original, o número de religiões cristãs que existem no mundo seria bem menor. Isso porque as falhas de tradução não teriam ocasionado tantas divergências e ambiguidades. Aliás, há religiosos que aprendem grego, aramaico e hebraico para poder estudar a Bíblia no original. Hoje a tradução da Bíblia mais perfeita em língua moderna, assim considerada por teólogos e religiosos das mais diversas religiões, bem como por estudiosos laicos, é a "Bíblia de Jerusalém".

Juliana Souza Coutinho disse...

Nem sempre as obras obtêm a tradução que elas merecem. Conscientes disso, não raras são as pessoas que aprendem uma língua estrangeira para ler obras literárias no original, ver filmes sem precisar ler legendas, ouvir músicas estrangeiras entendendo a letra, etc.

Juan disse...

Tão complexo quanto a tradução de uma obra literária é o trabalho da legendagem dos filmes. A começar pela tradução/adaptação do título na língua alvo. Como ilustração, cito o filme “The Deer Hunter”. Ao pé da letra daria “O Caçador de Veados”. Em Portugal, recebeu o título de “O Caçador”. No Brasil, “O Franco-Atirador”. O título em inglês enfatiza a caça de veados. Em Portugal, omite-se o nome do animal caçado, dando a impressão de que o protagonista do filme caça todo tipo de animais. Já o título recebido no Brasil destaca um indivíduo especialmente treinado no manejo de armas de fogo. Quem viu o filme percebe que os dois títulos em língua portuguesa dão ênfase a aspectos diferentes do filme, que também evoca a guerra do Vietnã e roleta russa.

Nestor Martins disse...

Uma tradução nunca é perfeita, pois a escolha lexical (entre outras escolhas) ideal para uma região de determinado país não seria boa para um outro espaço geográfico dentro do mesmo país.

Imaginem se trocarmos de país ou de continente!

Aline disse...

É desafiador e problemático traduzir:

 Onomatopeias.

 Idiotismos: palavras que só existem em determinadas línguas - a palavra “saudade” é um idiotismo da língua portuguesa.

 Variações dialetais, regionalismos: imaginem a dificuldade em se traduzir um escritor como "João Guimarães Rosa"!

 Erros de língua na obra original: como dar conta de enunciados que contêm erros típicos de pessoas de baixa escolaridade numa outra língua? Tais erros dificilmente encontram correspondência na língua alvo, ou seja, os erros comuns aqui seriam outros.

 Expressões idiomáticas e provérbios: nem sempre existem correspondentes na língua alvo.

 Dar conta do registro de língua do documento original: linguagem infantil, gírias, internetês, etc. Nem sempre existe correspondência.


Em todos esses casos, muitas vezes o tradutor escolhe resolver a questão com notas de rodapé.

Pedro Paulo Faria disse...

O trabalho do tradutor deve almejar o máximo possível de objetividade, o que não impede um resultado sempre subjetivo.

E não há regras nem receita para se fazer uma tradução.

Com a palavra, Sérgio Flaksman, um dos maiores tradutores do Brasil:

http://globotv.globo.com/globo-news/globo-news-literatura/v/sergio-flaksman-fala-sobre-os-desafios-da-traducao/2581837/

Susana Oliveira disse...

Não é nada fácil traduzir linguagem poética! É preciso ser poeta ou acaba-se com a poesia da obra original. Baudelaire traduziu Edgar Allan Poe com perfeição, pois tratava-se de dois poetas com muitas características em comum.

Lucas Oliveira Mora disse...

Aqui no Brasil, Ferreira Gullar traduziu “Ne me quitte pas” de Jacques Brel. A poesia de Brel foi mantida, mas para garantir a rima da música, Gullar precisou abrir mão e desistir de ser 100% fiel ao texto original. A começar pelo título-refrão (Ne me quitte pas / Não me deixes mais).

Coordenador Idiomaster disse...

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